Estudo Global sobre o Homicídio 2011

Estudo Global sobre o Homicídio 2011

Estudo do UNODC mostra que as taxas de homicídio são maiores em partes das Américas e da África

O UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) lançou seu primeiro estudo global sobre homicídios, o que mostra que os homens jovens, particularmente na América Central e do Sul, Caribe e África Central e África Austral, estão em maior risco de serem vítimas de homicídio doloso, mas que as mulheres estão em maior risco de morte devido à violência doméstica. Há evidência de crescentes índices de homicídio na América Central e Caribe, que estão “perto do ponto de crise”, de acordo com o estudo.
As armas de fogo estão por trás do aumento das taxas de homicídio nessas regiões, onde quase três quartos de todos os homicídios são cometidos com armas de fogo, em comparação com 21 por cento na Europa. Os homens enfrentam um risco muito maior de morte violenta (11,9 por 100.000 pessoas) do que as mulheres (2,6 por 100.000 pessoas), embora haja variações entre países e regiões. Em países com altas taxas de homicídios, especialmente envolvendo armas de fogo, como na América Central, 2 por cento do sexo masculino com idade entre 20 será morta antes de atingirem a idade de 31 anos – uma taxa de várias centenas de vezes maior do que em algumas partes da Ásia.
Em todo o mundo, foram 468 mil homicídios ocorridos em 2010. Cerca de 36 por cento de todos os homicídios ocorrem na África, 31 por cento nas Américas, 27 por cento na Ásia, 5 por cento na Europa e 1 por cento na Oceania.
Ligação entre crime e Desenvolvimento
O estudo também estabelece uma ligação clara entre o crime e desenvolvimento: os países com grandes disparidades de renda têm quatro vezes mais probabilidade de serem atingidos por crimes violentos do que as sociedades mais equitativas. Por outro lado, o crescimento econômico parece parar aquela maré, como se tem demonstrado nos últimos 15 anos na América do Sul.

Altos níveis de criminalidade são uma causa importante e um resultado de insegurança, pobreza e subdesenvolvimento. O crime afasta os negócios, corrói o capital humano e desestabiliza a sociedade. Ações orientadas são necessárias. “Para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, as políticas de prevenção ao crime devem ser combinadas com desenvolvimento econômico e social e governança democrática, baseada no Estado de Direito”, diz o Diretor Executivo do UNODC Yury Fedotov.
De acordo com o estudo, uma queda súbita na economia pode elevar as taxas de homicídio. Nos países selecionados, mais assassinatos ocorreram durante a crise financeira de 2008 e 2009, coincidindo com o declínio do produto interno bruto (PIB), maior índice de preços ao consumidor e maior desemprego.
Armas de fogo, Crimes na Juventude e Crime Organizado
Em 2010, 42 por cento dos homicídios foram cometidos com armas de fogo (74 por cento nas Américas e 21 por cento na Europa). O crime com arma está dirigindo a criminalidade violenta na América Central e Caribe, a única região onde as evidências apontam para taxas de homicídio em ascensão. “É fundamental que as medidas para prevenir o crime possam incluir políticas que visem a ratificação e implementação do Protocolo de Armas de Fogo”, disse Fedotov, referindo-se ao Protocolo contra a Fabricação e o Tráfico Ilícitos de Armas de Fogo, suas Peças, Componentes e Munições, completando a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. Ele acrescentou que a adoção de disposições do protocolo poderia ajudar a prevenir o desvio de armas de fogo, que alimenta a violência e aumenta o número de homicídios.
O crime organizado, especificamente o tráfico de drogas, é responsável ​​por um quarto das mortes causadas por armas de fogo nas Américas, mas apenas cerca de 5 por cento dos homicídios na Ásia e Europa (com base em dados disponíveis). Isso não significa, no entanto, que grupos de crime organizado não são ativas nessas duas regiões, mas sim que eles podem estar operando de maneira que não envolvem violência letal na mesma medida.
Crime e violência estão fortemente associados com populações jovens de grande porte, especialmente em países em desenvolvimento. Enquanto 6,9 por 100.000 pessoas são mortas mundialmente a cada ano, a taxa entre os homens jovens é três vezes maior (21,1 por 100.000 pessoas). Homens jovens são os mais propensos ter suas próprias armas, se envolver em crime de rua, tomar parte na guerra de gangues e cometem crimes relacionados com drogas. O número de homicídios cometidos em cidades pode ser três vezes maior do que em áreas menos povoadas.
Dimensões de gênero de crimes violentos

Globalmente, cerca de 80 por cento das vítimas e autores de homicídios são homens. No entanto, enquanto os homens são propensos a serem mortos em um lugar público, vítimas do sexo feminino são assassinadas principalmente em casa, como é o caso na Europa, onde metade de todas as vítimas do sexo feminino foram mortas por um membro da família. A esmagadora maioria das vítimas de violência cometida por parceiros e membros da família são mulheres. Na Europa, por exemplo, as mulheres foram responsáveis ​​por quase 80 por cento do número total de pessoas mortas por um parceiro ou ex em 2008.

A Situação do Brasil

O Brasil tem a terceira maior taxa de homicídios na América Latina, com 22,7 casos para cada 100 mil habitantes. O país fica atrás apenas da Venezuela (49) e da Colômbia (33,4). Os dados fazem parte do Estudo Global de Homicídios 2011, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O relatório, lançado hoje (06), apresenta um balanço dos índices de homicídios no mundo, com base em dados da Justiça criminal e dos sistemas de saúde pública de 207 países.

Em números absolutos, o Brasil, no entanto, lidera o ranking de homicídios, com 43.909 registros. Os dados se referem a 2009 e, segundo o estudo, foram fornecidos pelo Ministério da Justiça. O relatório leva em consideração informações repassadas pelos países relativas a 2010 ou ao ano anterior mais recente.
Informações adicionais:

O Relatório na íntegra (Em Inglês)

Fonte:

http://www.unodc.org/unodc/en/frontpage/2011/October/unodc-study-shows-that-homicide-rates-are-highest-in-parts-of-the-americas-and-africa.html?ref=fs1

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